Dicloroacetato de sódio presente na natureza? Mais do que você esperava

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Já pensou sobre se você prefere comer algo que nasce naturalmente no vivo do que por cientistas em um laboratório? Com o passar do tempo, os humanos têm tendência para enriquecer nossas dietas diárias com coisas que não estavam facilmente disponíveis aos nossos antepassados. Uma dessas coisas são vários compostos biologicamente ativos.

A substância orgânica específica que mais interessa ao DCAGuideé o dicloroacetato. Essa simples molécula pode ter efeitos vários na saúde e benefícios que se devem ao fato de ela reavivar a função mitocondrial.

No momento atual, existem vários artigos de investigação que discutem a probabilidade de surgimento do DCA na natureza. (Ref.1), (Ref.2)

Curiosamente, isso pode mudar no futuro próximo à medida que mais cientistas descobrem as aplicações excitantes das algas marinhas na saúde. Assim, os compostos orgânicos halogenados nessa algas podem ser explorados com maior profundidade (como o dicloroacetato).br />


Há meio século, muitas pessoas achavam que o dicloroacetato era somente um produto decorrente da cloração da água (o processo de descontaminar a água de ‘‘germes“) e começaram investigando seus potenciais efeitos na condição humana.

O interesse principal era descobrir se a substância poderia ser nociva quando ingerida juntamente com água. A maior parte da água tem cerca de 7-–20 μg/l de DCA, algumas áreas têm concentrações menores ou maiores. Por exemplo, os nadadores fazem frequentemente o seu treino em piscinas repletas de água com cloro e, por isso, têm maiores concentrações de DCA no seu plasma sanguíneo.

Já anos 80, vários grupos de investigadores encontraram utilizações interessantes para o dicloroacetato. Moore e outras pessoas descobriram que essa simples molécula poderia baixar os níveis de   ‘‘mau“ ou lipoproteína de baixa densidade no caso de haver hipercolesterolemia familiar. Depois, por ação de Peter W. Stacpoole, o DCA foi desenvolvido como medicamento que diminui os níveis de lactato sérico em crianças com acidose láctica congênita. Virtualmente, essa é a única substância que pode alcançar esses resultados até os dias de hoje.
(Ref.1) (Ref.2)

Além disso, só há pouco tempo foi sugerido que o dicloroacetato poderia melhorar o bem-estar daqueles que têm uma doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). O medicamento aumenta a função mitocondrial em pacientes com hipertensão pulmonar e aumenta as expetativas positivas para pessoas com essa condição.
(Ref.1), (Ref.2)

E, apesar desses achados e contínuo interesse, muita literatura disponível considera ainda o DCA como um composto químico sintético, que normalmente não ocorre no mundo vivo. Contudo, discutiremos o porquê de isso não ser verdade.

Asparagopsis taxiformis is a red alga which contains dichloroacetate

Apesar de a literatura científica sobre esse tema ser escassa, o dicloroacetato está presente em pelo menos uma alga vermelha – Asparagopsis taxiformis. Isso pode sugerir que o DCA apenas ocorre naturalmente em um organismo, mas vejamos as coisas de uma forma mais abrangente.

Quase ninguém fala da elevada probabilidade de esse composto orgânico halogenado poder ser encontrado em mais espécies como a Asparagospis armata e outras algas dessa família. Essas algas, como A. taxiformis, crescem em vários lugares do mundo, incluindo no mar Mediterrâneo, no mar do Havai e noutras águas quentes. Acredita-se que esses organismos sintetizam e utilizam moléculas halogenadas para a defesa contra a atividade bacteriana, viral e fúngica.
(Ref.1), (Ref.2)

Os investigadores acreditam que o dicloroacetato surge nessas algas devido à atividade de uma enzima – a cloroperoxidase. (Ref.)

É também interessante o fato de que o extrato de Asparagopsis taxiformis ter sido apontado como agente eficaz contra a Leishmânia, e infeções provocadas por bactérias e fungos. Há também estudos que sugerem que essas plantas marinhas podem ser capazes de reduzir as emissões de metano das vacas em 70 – 90 % contribuindo para a proteção do ambiente. Mas muitas algas seriam necessária para alimentar o gado.
(Ref.1), (Ref.2)

Para nossa surpresa, no Havaí, a Asparagopsis é uma alga marinha muito valorizada e usada há séculos como alimento pelos havaianos. Dizem que combina bem com marisco e peixe, é um tempero conhecido que acrescenta sabor e é um dos limu mais conhecidos na cozinha havaiana. (Ref.)

Gostaríamos também de referir um fato interessante que muitos dos nossos leitores provavelmente desconhecem.
Você sabia que o dicloroacetato nasce de forma natural e abioticamente no ambiente que nos rodeia? O processo envolve materiais encontrados no solo e materiais húmicos. As substâncias fenólicas e os compostos com cloreto reagem entre si e, dessa forma, são criados cloroacetatos. Um deles é o dicloroacetato. (Ref.)

Asparagopsis taxiformis has been consumed by the Hawiians for centuries, it is considered as food

Então, muitas revistas e publicações científicas devem verificar várias vezes suas informações antes classificar o DCA apenas como um simples composto sintético. Sabemos que a molécula foi ingerida por seres humanos como uma pequena parte de suas dietas muito antes de a química moderna pudesse ser fabricada em laboratórios.

Mas será que podemos conseguir o nosso dicloroacetato de sódio a partir de fontes naturais? Sim, mas precisaríamos de colher muitas algas vermelhas, fazer extratos e depois purificar o DCA. Essa seria uma tarefa dispendiosa e difícil, que deveria ser feita principalmente para fins de investigação.

Para determinar a estrutura do ácido alfa-lipóico, os investigadores usaram aproximadamente 10 toneladas de fígado, que apenas produziu 30 miligramas de ALA! Hoje em dia, o ácido lipóico, um suplemento alimentar diário, é fabricado sinteticamente. (Ref.)

Isso quer dizer que o DCA produzido artificialmente em laboratórios é tão bom como aquele encontrado na natureza? Isso depende acima de tudo da pureza, mas geralmente - sim.

Com um composto tão simples dotado de um notável valor terapêutico - a única coisa que importa é a qualidade do produto e o conhecimento sobre como o utilizar..

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